Viajar sozinha para fugir da crise e ser feliz

A Carla é paranaense e tinha uma lista enorme de lugares para conhecer… Achou que deveria viajar sozinha ou levaria a vida inteira para realizar todos esses sonhos. Mas, diante da crise no Brasil, encarou a mesma como uma oportunidade e caiu na estrada.

Por que resolveu cair na estrada?

Eu adoro viajar. Em 2011 eu morei no Canadá por 8 meses e desde então não via a hora de passar um período longo em algum lugar. Porém, as obrigações do dia-a-dia, como o trabalho, sempre me seguravam. Então, quando perdi meu emprego por causa da crise e o momento não estava favorável para conseguir um bom emprego, vi a oportunidade de concretizar meu desejo. Mas, em vez de me fixar em um lugar só, decidi conhecer todos os países que sonhava visitar.

Por quanto tempo queria viajar?

A princípio a ideia era viajar sozinha por 9 a 10 meses. Mas tive que cortar alguns países por questão se visto, logística e segurança.

E como financiar uma viagem dessas em meio a crise?

Como eu trabalhei por 4 anos com um bom salário, recebi um bom acerto e também pude sacar meu FGTS. Tem gente que compra casa com FGTS, eu decidi investir o valor na viagem. Não há melhor investimento do que esse. Mas é claro que planejamento e abrir mão de alguns luxos fizeram parte do meu caminho. Sempre me hospedei em hostel, sou adepta da famosa street food e da comprinha básica no mercado. Free walking tours? É comigo mesma!

Como o Workaway apareceu nessa história?

Quando eu estava pesquisando sobre como viajar gastando pouco, encontrei vários posts em blogs sobre “como viajar quase de graça”. Foi assim que conheci o Workaway. E, através desse site, pude realizar o sonho de me hospedar em um chateau na França sem pagar nada, por exemplo.

O que foi o mais gostoso de estar na estrada?

Quando me vi sozinha do outro lado do mundo senti muito orgulho de mim mesma. Conheci muitas pessoas e vi muita coisa que nem sabia que existia. Arquiteturas lindíssimas, paisagens de tirar o fôlego, culturas ricas e costumes diferentes. Eu não achei que chegaria tão longe, que veria tudo o que eu vi. E quando me vi no Camboja, último país do meu roteiro, a satisfação, orgulho e realização pessoal foram imensos.

E o que foi o mais difícil?

Todo mundo fala que mesmo viajando sozinha você nunca está sozinha, pois sempre está conhecendo pessoas, fazendo amizades. A verdade é que não é em todo hostel e nem em toda cidade que você vai encontrar pessoas cuja conversa flui facilmente. Às vezes você vai passar semanas sem ter uma conversa decente. E, nesse tempo, você vai ficar sozinha com seus pensamentos. Esse mergulho dentro de si mesma pode ser, ao mesmo tempo, muito doloroso e muito prazeroso. Afinal, passamos a nos conhecer muito melhor ao final de tudo. Mas o caminho para o autoconhecimento é cheio de pedras. E algumas machucam.

O que te preocupava antes da viagem e o que você fez para diminuir essas preocupações?

Eu ficava com medo de ser enganada, de ser roubada. Eu tinha a sensação que todos queriam me enganar porque eu era uma “turista”, uma presa fácil.

Quando já estava na viagem, essas preocupações fizeram sentido?

No começo sim, pois passei por uma situação desagradável no Marrocos, o que me fez ficar um pouco receosa durante toda a viagem. Mas logo vi que essa não era uma regra. Nos outros países encontrei muitas pessoas gentis dispostas a ajudar e essa sensação de que todo mundo queria me fazer de boba foi passando. Mas ainda hoje evito táxis em cidades turísticas.

Qual foi o ponto alto desses sete meses?

A realização de alguns sonhos foi o ponto alto dessa viagem. Eu sonhava em conhecer um castelo, o Marrocos, Santorini e o Angkor Wat no Camboja. Achei que ia demorar para conseguir realizá-los e alguns achei que nem conseguiria. E consegui realizá-los todos na mesma viagem, no mesmo ano. E isso é incrível! Mas tá certo que faltou alguns, como Taj Mahal, Moscou e Capadócia. Estes ficam para uma próxima viagem.

O que faria diferente se fosse começar a viagem hoje?

Eu começaria pela Ásia. Quando cheguei na Ásia eu já estava cansada, então acho que poderia ter aproveitado mais se tivesse começado por lá.

A melhor coisa de viajar:

Conhecer lugares, pessoas, culturas. Se perder pelas ruas e ficar olhando os prédios, os cafés. Sentar numa praça e olhar as famílias passeando, as crianças brincando, os cachorros correndo. Viver um pouquinho de cada cidade como se você fizesse parte dela, mesmo que por poucos dias. E depois carregar um pouco dela na bagagem.

Conte-nos um pouco sobre o roteiro:

Europa: Iniciei minha viagem por Portugal, pois meu irmão mora lá. Em seguida fui ao Marrocos. Primeiro visitei Marrakech. De Marrakech fui para o deserto, onde passei a noite em um acampamento Berber e em seguida fui para Fés. O próximo destino foi La Châtre, na França. Lá, via Workaway, me hospedei em um chateau do século XVI. Após França, Toscana, na Itália, visitei Florença e Bologna e fiz um roteiro mais gastronômico, pois adoro comida italiana. De Bologna peguei um trem noturno (muito desconfortável) para a capital da música clássica: Viena. Aqui a atração principal é a arquitetura da cidade.  Após Viena fui de trem para Bratislava e de ônibus para Praga e Budapeste. Ainda inclui a Grécia, primeiro visitei Atenas, depois fui para a tão sonhada ilha de Santorini. Essa foi a melhor parte da minha viagem.

Calculei certinho o tempo que poderia ficar na região de Schengen e, depois de 3 meses de visto, inclui os países que não fazem parte do grupo. Primeiro fui para a Irlanda. Passei um mês e meio em Dublin hospedada em uma espécie de pensão de estudantes, também via Workaway. Nesse período também fui para a Irlanda do Norte.

Em seguida fui para a Croácia. Visitei Zadar, Lagos Plitvice e Zagreb. Agora chegou a vez do país do Conde Drácula: Romênia. Visitei Bucareste, Brasov, Bran e Sinaia (esses três últimos na Transilvânia). Então segui para a vizinha Bulgária. Visitei Veliko Tarnovo e Sófia.

Hora de mudar de continente. Primeira parada: Singapura. Cidade moderna, futurista. Em seguida fui para Bali (Kuta, Uluwatu, Dreamland Beach e Ubud). Depois Tailândia (Koh Larn e Bangkok), Vietnã (Hanói, Halong Bay, Mekong Delta, Ho Chi Minh) e Camboja (Siem Reap e, claro, Angkor Wat).

Por Carla Cruz

2017-07-19T13:13:58+00:00