O melhor dos meus 30 anos: Ásia e Europa

Muitas pessoas gostariam de fazer um mochilão, sair sem rumo pelo mundo, aproveitar a vida, conhecer pessoas, descobrir mais sobre você mesma.. a lista é longa!

Na Europa é quase cultural e muitas pessoas viajam por um ou dois anos antes de começar a faculdade. No Brasil cada vez mais pessoas estão caindo na estrada! Viajar é enriquecedor para você e com certeza para as pessoas a sua volta! Aqui a Bárbara conta como ela chegou nesse momento de clique e resolveu cair na estrada.

Por que fazer um mochilão?

Sempre imaginei meus 30 anos. Como estaria? Onde? Com quem? Fazendo o que? Mesmo sem saber nenhuma das respostas exatamente, tinha a certeza de que seriam os melhores anos da minha vida. Pensava estar no meu melhor momento profissional – e aos 29 e finalmente, eu estava quase ali. Financeiramente independente e com uma vida confortável.

Trabalhava praticamente no mesmo bairro em que morava, em São Paulo e ainda assim, tinha um carro. Um carrinho, 1.0. O trabalho caminhava bem. “tranquilo” também tinha um salário bem suficiente. Mas o fato era: aos 29 e nove e meses, frequentemente definia minha vida como “tranquila”. E a tal “vidinha tranquila” ficou sem graça.

Faltava alguma coisa. Muita coisa. Janeiro se aproximava e não me parecia que os melhores anos da minha vida estavam prestes a começar. Foi aí que decidi fazer alguma coisa diferente e realizar o velho sonho de partir sem data para voltar. Em coisa de quatro meses organizei tudo. Vendi o carro, me demiti, me desfiz de sapatos, roupas, moveis…

Vendi muita coisa na internet. Comprei uma passagem só de ida para a Índia (com uma paradinha de uns dias em Londres). Fui pra estrada em busca de inspirações, de ver outros jeitos de viver, de experimentar outras culturas e ver possibilidades. Saí do Brasil dia 07 de janeiro, 20 dias antes do meu aniversário.

Dá para sair só com um destino definido?

Dá! Mas acho que pra isso você tem que estar disposto e aberto a tudo. Quando não se tem muitas definições, tudo pode acontecer, para o bem e para nem tão bem assim. Mas você recebe muitas dicas das pessoas, estar com roteiro muito definido acaba te amarrando.

Alguma coisa deu errado?

O único problema real que eu tive em um ano foi perder os cartões de banco. Eu perdi primeiro um deles, o de maior limite, crédito e débito. Foi na travessia da fronteira entre a Tailândia e Mianmar, fui pagar o hostel e tinha perdido o cartão. Impossível receber um novo em Mianmar, você deve imaginar.

Desisti de receber lá e fui indo com um cartão só de crédito secundário que, diga-se de passagem, não servia pra nada em Mianmar e nos países seguintes. Comecei aí a viver com transferências que minha irmã fazia de tempos em tempos via Western Union. Nisso, o banco no Brasil me mandou um cartão novo referente ao de limite pequeno que eu ainda tinha comigo.

Bloquearam o que eu tinha lá até eu ativar o novo. Super inteligente! Ou seja, fiquei sem nenhum. E assim fui vivendo à base de cálculos precisos de quanto eu tinha até eu receber mais grana do Brasil. Não dava para receber de muito para não precisar carregar tudo né? Acabei armando um esquema com a minha irmã para ela me mandar os novos cartões no Vietnã.

Entrei em contato com um hostel em Hanoi, expliquei a situação e pedi para receber a correspondência lá. Me programei para estar no lugar na data prevista para chegar. Não chegou. A encomenda foi extraviada na Índia e voltou para o Brasil. Só consegui receber depois de quatro meses, em Istambul.

Se você começou a viagem na Índia como foi parar na Rússia?

Comecei na Índia e segui por todo o sudeste asiático. Foram uns cinco, quase seis meses nesse pedaço e peguei apenas dois voos nesse tempo (um deles porque não podia cruzar direto do Nepal para Mianmar por terra e outro para sair de Mianmar depois da aventura indo de ônibus).

Quando acabei o Camboja, estava irritada sem meus cartões e sabia que ia ser difícil receber naquela parte do mundo. Tinha que “voltar para o ocidente”, ir para um lugar onde fosse mais fácil. Encontrei passagens muito baratas de Bangkok para Moscou.

Tinha uma amiga lá, que conheci no Nepal. Acabei indo para a Rússia na intenção de seguir para a Europa e seria um caminho barato. Depois, acabei indo pra Turquia e a Europa ficou para mais tarde.

Dá para trabalhar no caminho?

O único lugar onde eu trabalhei foi na Turquia e tudo aconteceu por acaso. Vi muita gente viajando e trabalhando, de várias formas. Ou com trabalho remoto, negócios online, etc, ou trabalhando em troca de hospedagem. Foi assim que comecei na Turquia e acabei conseguindo depois ganhar um salário bom até e o trabalhinho acabou virando um emprego.

Como é o a questão de visto se resolver parar em um lugar e quiser trabalhar?

Depende do lugar. O tempo que trabalhei na Turquia foi sem nenhum documento ou permissão para isso. Como brasileira, poderia ficar 3 meses como turista no país. Acabei ficando quatro e paguei uma multa bem carinha quando saí do país.

Tentei dar entrada nos papéis para tirar uma permissão de residência turca, cheguei a marcar a entrevista numa espécie de Polícia Federal que ia demorar uns 4 meses. Acabei decidindo seguir viagem antes e cancelei esse processo.

Pensei em ir para Austrália trabalhar por um tempo. Mas brasileiros não têm direito a visto de trabalho, o working holiday visa. Só se consegue visto de estudante, desde que matriculado num curso, o que dá direito a poucas horas de trabalho por semana. Acabei desistindo de ir por isso.É um lugar caro.

Como sou jornalista, acabei colocando meu lado repórter para trabalhar e colaborei com vários veículos no Brasil. Sempre que possível, mandava matérias para os jornais e revistas daqui.

Que língua estrangeira você falava quando saiu do Brasil? Deu para se virar?

Eu “falava” inglês, tipo estudei um pouco na vida e aprendi muito viajando, em outras viagens. Ainda assim nunca foi aquelas coisas e estava beeeem enferrujado. No começo foi até meio difícil. Logo nas primeiras semanas, fiz um curso de yoga e fiquei num ashram com o mesmo grupo do curso por vários dias. Eram quase todos britânicos. Dei uma sofrida ali. Mas sem perceber, o inglês vai melhorando. O meu melhorou absurdamente e muito rápido. A ponto de eu poder fazer entrevistas para as minhas matérias tranquilamente na viagem, sem passar vergonha, nem nada.

Como é voltar para o Brasil?

Mesmo depois de cinco meses de volta e já totalmente instalada de novo (trabalhos, casa temporária, etc), ainda não sei responder. É bom, claro, mas ainda me dá muita saudade pensar em tudo que eu poderia estar vivendo, situações, lugares, pessoas… muita gente falava, e ainda fala, que uma viagem assim muda a gente. Nunca acreditei muito.

Mas tenho percebido no dia a dia que sim, a gente muda sem perceber. Começa a ver muito mais valor em coisas pequenas e ao que realmente importa, lida com problemas com muito mais positividade e praticidade. E desapega demais do material.

2017-08-06T19:27:02+00:00