Porque você deve perder o medo e fazer um mochilão

A Barbara queria viajar! A opção que melhor se encaixava para seu perfil financeiro foi o mochilão. E ela não se arrependeu! Hoje está fazendo mochilão pela Ásia e já coleciona várias histórias para contar.

Barbara sempre imaginou seus 30 anos. Idealizava o que estaria fazendo, onde e com quem. Mesmo sem saber nenhuma das respostas exatamente, ela tinha a certeza de que seriam os melhores anos da sua vida. Aos 29 anos ela achava sua vida muito tranquila. Foi aí que decidiu largar tudo e ir viajar sem ter data para voltar.

Por que fazer um mochilão?

Por achar que a vida que levava não era aquela que queria, Barbara decidiu vender tudo e cair na estrada.

“Em coisa de quatro meses organizei tudo. Vendi o carro, me demiti, me desfiz de sapatos, roupas, moveis… Vendi muita coisa na internet. Comprei uma passagem só de ida para a Índia (com uma paradinha de uns dias em Londres). Fui pra estrada em busca de inspirações. De ver outros jeitos de viver, de experimentar outras culturas e ver possibilidades. Saí do Brasil dia 07 de janeiro, 20 dias antes do meu aniversário”, conta.

Dá para viajar sem destino definido?

“Dá! Mas acho que pra isso você tem que estar disposto e aberto a tudo. Quando não se tem muitas definições, tudo pode acontecer, para o bem e para nem tão bem assim. Mas você recebe muitas dicas das pessoas, estar com roteiro muito definido acaba te amarrando”, afirma.

Alguma coisa deu errado?

Barbara conta que o único problema que ela teve foi perder seus cartões bancários. Ela perdeu o primeiro deles, o de maior limite, que era crédito e débito. Aconteceu na travessia entre a Tailândia e Mianmar. E ela só percebeu quando foi pagar o hostel e viu que tinha perdido seu cartão.

“Impossível receber um novo em Mianmar, você deve imaginar. Desisti de receber lá e fui indo com um cartão só de crédito secundário que, diga-se de passagem, não servia pra nada em Mianmar e nos países seguintes”, conta.

Barbara diz que nesse momento viveu a base das transferências que a irmã fazia de tempos em tempos via Western Union. Nisso, o banco no Brasil a mandou um cartão novo referente ao de limite pequeno que ela ainda tinha consigo.

“Bloquearam o que eu tinha lá até eu ativar o novo. Super inteligente! Ou seja, fiquei sem nenhum. E assim fui vivendo à base de cálculos precisos de quanto eu tinha até eu receber mais grana do Brasil. Não dava para receber de muito para não precisar carregar tudo né? Acabei armando um esquema com a minha irmã para ela me mandar os novos cartões no Vietnã. Entrei em contato com um hostel em Hanoi, expliquei a situação e pedi para receber a correspondência lá. Me programei para estar no lugar na data prevista para chegar. Não chegou. A encomenda foi extraviada na Índia e voltou para o Brasil. Só consegui receber depois de quatro meses, em Istambul”, diz.

Dá para trabalhar enquanto faz um mochilão?

“O único lugar onde eu trabalhei foi na Turquia e tudo aconteceu por acaso. Vi muita gente viajando e trabalhando, de várias formas. Ou com trabalho remoto, negócios online, etc, ou trabalhando em troca de hospedagem. Foi assim que comecei na Turquia e acabei conseguindo depois ganhar um salário bom até e o trabalhinho acabou virando um emprego”, conta.

Como é a questão do visto se você decidir trabalhar durante a viagem?

Barbara diz que isso depende do lugar.

“O tempo que trabalhei na Turquia foi sem nenhum documento ou permissão para isso. Como brasileira, poderia ficar 3 meses como turista no país. Acabei ficando quatro e paguei uma multa bem carinha quando saí do país. Tentei dar entrada nos papéis para tirar uma permissão de residência turca, cheguei a marcar a entrevista numa espécie de Polícia Federal que ia demorar uns 4 meses.

Acabei decidindo seguir viagem antes e cancelei esse processo. Pensei em ir para Austrália trabalhar por um tempo. Mas brasileiros não têm direito a visto de trabalho, o working holiday visa. Só se consegue visto de estudante, desde que matriculado num curso, o que dá direito a poucas horas de trabalho por semana. Acabei desistindo de ir por isso. É um lugar caro. Como sou jornalista, acabei colocando meu lado repórter para trabalhar e colaborei com vários veículos no Brasil. Sempre que possível, mandava matérias para os jornais e revistas daqui”, conta.

Barbara Raffaeli é decidiu cair na estrada nos seus 30 anos. Sempre animada, adora contar um pouco de seu mochilão pela Ásia.

2017-09-08T08:33:13+00:00