Quais cuidados devo ter ao visitar a Índia

Lista de cuidados na Índia: A Giovana seguiu para uma mega aventura de quatro meses pelo Sudeste Asiático, para adicionar emoção, morou 4 meses em Mumbai…

Para adicionar emoção, ela morou 4 meses em Mumbai e resolveu fazer essa lista de cuidados na Índia… Essa é uma das cidades mais cosmopolitas da Índia, mas ainda, com a cultura indiana predominante!

“Uma pergunta que escuto com frequência quando conto sobre minhas experiências na Índia é: “Mas você não teve nenhum problema por ser mulher?”

Confesso que esse era meu maior medo antes de ir para lá e em algumas situações específicas enquanto estava por lá. Como estar segura em um país onde estupros acontecem com tanta frequência e em que mulheres são tão reprimidas? Conversar com outras mulheres que já tinham vivido e viajado pela Índia me deixou mais tranquila. Elas foram me mostrando que sim, existem diversos riscos, porém, eles podem ser amenizados e evitados com as devidas precauções.

Essas lista de cuidados na Índia foi importante para eu entender que é possível uma mulher estrangeira viajar sozinha pela Índia. Listei alguns pontos que foram essenciais para mim:

Confiar com o “desconfiômetro” ligado

Acho que o mais importante é estar sempre atenta. Realmente é verdade que os homens lá encaram as estrangeiras como se as estivessem comendo com os olhos. Não é uma sensação nada agradável, mas já que não posso mudá-la por que vou me desgastar?

Até quando fui parar no hospital, fui encarada. O hospital estava lotado e só tinha eu e mais uma holandesa, que éramos estrangeiras. Eu estava sentada esperando para ser atendida e havia um homem sentado algumas cadeiras à minha frente que simplesmente estava virado para poder ficar me encarando. Eu encarava de volta e ele não parava. Até que eu resolvi começar a ler e enfiar minha cara no meio do livro.

Eu gostava de trocar sorrisos com as pessoas nas ruas, mas eu restringia isso apenas para mulheres e crianças. No geral, eu fazia uma cara fechada para os homens, mas, fui vendo que não dava para generalizar. Aos poucos você vai aprendendo e sentindo em quem pode confiar. Alguns eram muito engraçados, principalmente os vendedores. Eu me divertia negociando com eles. Além disso, fiz boas amizades com indianos. Acredito que os que representam uma situação de risco são os que possuem menos educação e acesso a informação.

Outra coisa que fiz quando me senti em situações de risco foi me juntar a outras mulheres. Quando fui a Varanasi, por exemplo, meu voô atrasou e cheguei lá por volta das 21:00. O aeroporto era bem afastado da cidade e eu não me sentia segura em pegar um táxi sozinha. Conversei com outras turistas e acabei dividindo o táxi com elas, foi tranquilo e ainda fiz novas amizades.

Andar no vagão feminino do trem/metrô

Quando eu assisti a “The lunchbox”, filme que eu super recomendo por sinal, fiquei chocada ao ver que só haviam homens no trem em Mumbai. Eu ficava me perguntando: será que as mulheres não pegam os trens? Até que caiu minha ficha e pensei que deveria ser porque há vagões separados por sexo. E realmente é isso. Nos trens e nos metros há vagões separados para mulheres e estes são super respeitados. Isso me deixou mais confiante porque dentro do trem eu me sentia totalmente segura.

Uma das meninas estrangeiras que morava comigo sofreu um caso de assédio quando andou no vagão masculino, então eu vi que realmente era melhor não correr este risco. Porém, tiveram umas 2 ou 3 vezes que fui no vagão masculino, por engano ou preguiça de correr até o feminino. Para minha surpresa, foi super tranquilo e, inclusive, os homens ofereceram lugar para eu e minhas amigas sentarmos. Uma outra menina que morava comigo só andava no vagão masculino por causa da educação dos homens, já que ela não tinha que andar esmagada como no feminino e eles sempre ofereciam lugar pra ela sentar. Isso mostra, mais uma vez, como não da para generalizar.

Ter spray de pimenta ou canivete sempre na bolsa

Eu tinha um spray de pimenta pendurado no meu chaveiro e isso me deixava muito mais tranquila. Nunca precisei usá-lo, mas apenas o fato de eu saber que ele estava lá, fazia com que eu me sentisse mais “poderosa”. Caso você não encontre um spray de pimenta, um canivete cumpre muito bem essa função!

Estar sempre com o celular carregado e internet funcionando

O fato de eu ter google maps no meu celular me deixava muito mais segura. Assim, mesmo que eu estivesse em uma cidade desconhecida sozinha no tuk tuk, eu acompanhava o tempo todo o caminho e ficava guiando o motorista. Uma coisa muito importante para mim foi sempre falar meio “grosso” com os caras. Principalmente os motoristas de tuk tuk são doidos pra enrolar estrangeiras.

Eles cobram um preço muito maior do que o real e já aconteceu uma vez de um motorista pegar outras pessoas no meio do caminho no mesmo tuk tuk que eu estava. A solução é se impor e mostrar que você não vai se deixar ser enganada ou extorquida.

Além de ser normal que indianos encarem a estrangeiras (e estrangeiros), eles adoram tirar fotos de e com nós também. A maioria pede e eu sempre dizia que não quando eram homens porque já imaginava que eles só queriam tirar foto pra postar nas redes sociais.

Porém, tem aqueles que tiram foto numa boa sem pedir e era uma situação que me incomodava muito, já que não sei o que vão fazer com a minha foto. Tanto que depois de um tempo comecei a falar que para tirar foto minha tinha que pagar 500 rúpias (equivalente a uns 25 reais) e ai eles paravam.

Eu ia atrás dos que já tiravam foto e ficava cobrando as minhas 500 rúpias. No fundo, eu me divertia com isso porque os caras ficavam em choque e saiam andando se fazendo de desentendidos já que não queriam pagar.

Não vacilar!

Bom, essa regra é bem simples e nós brasileiras já estamos acostumadas a segui-la. Quando conversei com uma sala de R.I. da ESPM, eu perguntei para as meninas se elas se sentem inseguras em andar sozinhas na rua aqui no Brasil, não só pelo fato de correrem o risco de serem assaltadas, mas também por serem mulheres. E, todas me disseram que sim! Então, na Índia os cuidados gerais que eu tomava eram muito parecidos com os que eu tomo aqui: não andar sozinha em lugares pouco movimentados e escuros.

Duas situações em que eu passei bastante medo, foram porque eu vacilei. Em uma das vezes eu estava andando na rua as 4 da manhã com mais duas pessoas, então achei que estava tudo bem, mas não estava. E em outra eu estava hospedada sozinha em um hotel que ficava em frente a um viaduto e a porta do meu quarto dava para a rua.

Li há pouco tempo sobre um caso de estupro que ocorreu em Manali (cidade pela qual eu passei) de uma estrangeira que aceitou pegar carona com 3 indianos que ela tinha acabado de conhecer. Infelizmente, não dá para ser tão inocente assim.

Usar roupas apropriadas!

Considero essa dica bem óbvia para mulheres que estão pensando em ir para a Índia, mas é sempre bom reforçar. Apesar de em cidades grandes ou locais turísticos, os trajes já estarem mais ocidentalizados e de ser possível ver indianas ou estrangeiras usando shorts jeans e vestido curto, a grande maioria cobre as pernas e os ombros. Eu andava quase sempre com as pernas cobertas e carregava um lenço na bolsa, caso sentisse a necessidade de cobrir os ombros.

Houve um dia em que a minha chefe me pediu para colocar um lenço no trabalho porque minha blusa era um pouco transparente. Para nossos padrões ocidentais, é normal alguns tipos de tecido terem um pouco de transparência, mas por lá isso pega mal.

Falar que é casada

Essa foi uma dica que me deram antes de eu ir para lá. Fui avisada que era normal que indianos perguntassem a mulheres se elas eram casadas e que eu devia sempre responder que sim. Inclusive, me recomendaram comprar falsas joias, iguais as que as mulheres casadas usam (Na Índia, as mulheres não usam aliança e sim um colar com contas pretas para indicar que são casadas).

Eu até pensei em comprar, mas quando cheguei lá não senti necessidade. Me perguntaram poucas vezes se eu era casada quando eu estava sozinha, eu respondia que sim e quando questionada sobre o que meu marido fazia, cada vez eu inventava uma história diferente. Era engraçado usar a minha imaginação para criar qual seria o meu “marido” da vez.

Pensamento positivo

Parece uma dica meio “vazia”, mas eu acredito plenamente nisso. Você atrai o que você transmite. Então, as mulheres que tem medo de sofrer assédio são as que estão mais propensas a passarem por isso. Da mesma forma, as pessoas que tinham mais medo de passar mal com a comida, eram as que ficavam doentes. Enfim, pensamento positivo. Confiar que estamos protegidas por forças muito maiores, afasta a negatividade e acaba com a neura!

Eu viajei sozinha por 2 meses na Índia, e não tive problemas sérios. Porém, acredito que eu só estava preparada, porque eu já estava por lá há 4 meses. Me sentia mais familiarizada com a cultura e possíveis situações de risco..

Recomendo sim. Tenho plena certeza de que é possível mulheres estrangeiras viajarem sozinhas pela Índia. Mas fazer isso logo de cara é um pouco arriscado. Tem muita malandragem por lá. Então, é muito importante estar ligada. Acho melhor fazer como eu fiz. Ir por alguma organização. Ficar um tempo em uma cidade, para depois sair explorando esse país de infinitas possibilidades e surpresas.

Espero com esse texto ter encorajado mais mulheres a fazerem o mesmo que eu. Porque além de tudo essa sensação de estar “quebrando um tabu” é incrível! Nós percebemos que somos capazes de muito mais do que pensamos!”

Quer acompanhar mais sobre os relatos da Giovanna? É só acessar o site Inner Peace!

2017-07-20T03:19:38+00:00