Viajando o mundo de carro por 43 meses

“De onde tiraram isso? De carro mesmo? Até a Austrália?” Essas são só algumas das perguntas que vire e mexe ouvimos por aí, o mais interessante é que realmente nunca passou pela nossa cabeça a ideia de dar ao volta ao mundo de carro antes! Alias, não passou nem perto…

Quando as pessoas perguntam como o Leo conseguiu me convencer a largar tudo e fazer uma viagem dessas, ele geralmente responde com um tom de dúvida: “sabe que até hoje eu não sei como ela concordou tão fácil”. Acho que na época isso me soava mais como uma viagem de carro qualquer, não tinha noção da grandeza disso tudo e o que mais me chamava a atenção mesmo era o fato de conhecer tantos lugares novos em uma única viagem.

Morar no carro era somente uma consequência disso tudo, pelo menos foi isso que eu pensei na época! Porém olhando para meu passado, viajar de carro tem laços profundos com a minha história.

Viajar de carro:

Minha primeira viagem de carro foi ainda bebê. Minha mãe até hoje se acha maluca de ter deixado meu pai percorrer os 1.200 km que separam Dourados, no Mato Grosso do Sul, até Santa Maria no Rio Grande do Sul. Aliás minha terra natal, sozinho comigo em um caminhão.

Claro que eu não me lembro. Mas com certeza deve ter ficado algo no meu DNA. Até porque esse percurso seria repetido muitas vezes em minha vida para visitarmos nossa família. Para nós (eu e minha irmã) era sempre uma festa. Geralmente tinha um lugar para conhecer no caminho e mesmo na hora de dormir, deitávamos vendo as estrelas e a lua cheia, e nos divertíamos. Não é algo tão simples deduzir tudo isso, mas talvez escrevendo começa a fazer mais sentido porque não me pareceu nenhuma loucura viajar de carro.

Com certeza a viagem hoje em dia é bem diferente do que imaginávamos. Os primeiros meses que foram ainda pelo sul da América do Sul. Era uma animação com o começo da viagem, até dividimos bastante a direção. Eu dirigindo quase a metade do tempo e particularmente gosto bastante de dirigir, então sempre achei ótimo dividir essa função. Também fizemos algumas adaptações como trocar os bancos para que isso não fosse um problema na viagem.

Dirigir ou ficar no banco do carona

Do Peru para a frente eu dirigi muito pouco, as vezes preciso até brigar com o Leo para ele me passar a direção. Brinco que depois ele vai falar que dirigiu o mundo todo sozinho! Mas por outro lado, eu entendo que o Leo lide melhor com algumas situações na estrada. Tem um pouco mais de experiência e portanto que ele não esteja cansado, ele vai tocando! Sem falar que as estradas nos Andes eram péssimas. Cheia de curvas, penhascos, caminhões e ônibus voando baixo… tudo muito perigoso!

Além dessa questão tem outro ponto que o Leo fica muito entediado no passageiro e eu consigo lidar melhor com isso. Faço comida, cuido dos podcast, as vezes escrevo. O gps também é minha responsabilidade. Curto o visual e se estiver cansada ainda durmo! Ficamos tanto tempo dentro do carro que cansa qualquer um. Uma mesinha, estilo de avião, seria uma melhoria legal e com certeza ajudaria a me entreter, trabalhar, fazer alguma coisa…

O acontecimento na Califórnia

Na Baja Califórnia voltei a dirigir mais e um dia tivemos uma situação muito inusitada! Paramos em uma revista do exército na estrada. Até ai normal, saímos do carro para eles revistarem e passei todas as informações para o soldado que me abordou. Não é que ele na maior cara de pau, enquanto o Leo estava meio longe, pediu meu email, facebook e telefone!

Fiquei com uma cara de interrogação e soltei: “Olha esses dados é melhor você pedir para o meu marido”. Apesar da minha revolta com ele fazer isso o Leo achou graça. Demos risada e seguimos viagem! Na estrada sempre tento ser o mais discreta possível. Se vamos pegar estrada ou fazer fronteira, estou sempre de calça, camiseta larga, nada que chame a atenção. Acho que é uma maneira de me preservar e não me expor a uma situação que eu não goste.

Na América dirigimos mais de 55 mil quilômetros. Na Europa, tudo é mais perto e por isso os trajetos devem ser mais curtos e pretendo dirigir mais. Só vamos ver nos países de mão invertida, como Inglaterra, se não vou me atrapalhar! Rsrs. Depois quando formos para África, tudo muda novamente. Mas até lá, já vou ter atualizado vocês!

Por Rachel Spencer, do Viajo Logo Existo

2017-07-25T15:10:18+00:00