Meus dois filhos nasceram em Dubai e deu certo!

A Roberta é carioca e já tinha morado no Bahrain e agora mora em Dubai, Emirados Árabes, no Oriente Médio. Apesar de ver muitas conhecidas e amigas indo para o Brasil para ter o seu bebê ela decidiu que seus filhos nasceriam no Oriente Médio.

Até porque para os bebês nascerem no Brasil ela teria que voar até o sexto mês para o Brasil e esperar para voltar para sua casa em Dubai. Com isso teria que fazer duas estruturas para os bebês. Então por que não confiar que ali teria um tratamento tão bom quanto no seu país de origem?

Conhecemos a Roberta quando visitamos Dubai e a primeira pergunta sempre é, como você veio morar aqui, como muitas brasileiras que estão no país a Roberta veio acompanhar o marido que trabalha na aviação. O mais difícil pra ela é a distância da família. Ela ainda compartilha que dá para uma mulher tranquilamente ir morar sozinha no país.

Apesar de muitas pessoas sempre pensarem na questão da cultura árabe como maior dificuldade, a Roberta divide problemas inerentes as cidades grandes. Seguem algumas perguntas que fizemos pra ela para saber como se vive no Oriente Médio:

Principal dificuldade encontrada:

No Bahrain, acho que o fato de fecharem maior parte do comércio por cerca de quatro horas durante o almoço por causa da reza e descanso e a dificuldade em encontrar algumas comidas típicas brasileiras. Em Dubai, por ser uma cidade bem maior, acho que a distância entre os destinos percorridos diariamente e o trânsito. Em ambos, a falta de confiança na competência médica de um modo geral.

Você já falava a língua do país? Como foi essa adaptação?

Não falava o árabe, mas já falava o inglês fluentemente, portanto não houve dificuldade com relação a língua. Sempre tive facilidade em me adaptar a novos lugares, desde minha primeira mudança, do Rio para São Paulo com 22 anos de idade.

O que te preocupava antes da mudança e o que fez para mitigar essas preocupações?

Os costumes de um país muçulmano.

Quando já chegou ao país, essas preocupações fizeram sentido?

Felizmente tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o país antes, morei em Abu Dhabi (Emirado vizinho) por três meses, quando vim a trabalho, pela TAM, através de um “wet leasing” a fim de homologarmos a empresa aérea, até então inexistente, Etihad Airways. Portanto, desvendei os mistérios antes sair do Brasil definitivamente.

Muitas mulheres que mudam de país, acabam tendo dificuldade em ter médicos fora ou mesmo encarar o parto e voltam para o Brasil para ter os filhos. Você acabou de ter o segundo filho em Dubai, como foi sua experiência com médicos e hospitais? Pode nos contar um pouco sobre isso!?

Cheguei a pensar em ter meu primeiro filho no Brasil, mas tão logo avaliei os prós e contras, decidi tê-lo aqui mesmo, pois o mais importante para mim era estar ao lado do meu marido nesse momento, tendo em vista que ele é piloto e eu teria parto normal. Se tivesse o filho no Brasil, teria de viajar até o sexto mês de gravidez e ficar por lá até que o bebê completasse, no mínimo, um mês de vida, além do que, teria de ter o mínimo de infra-estrutura para mim e para o bebê em ambos os países, pois não seria nada prático transportar tudo duas vezes, como berço, carrinho etc…

Quando cheguei em Dubai, já haviam muitas brasileiras por aqui que me passaram suas experiências de parto, além de diversas indicações de médicos. Sendo assim, tive tempo de buscar alguém que me passasse a confiança da qual precisava. Os hospitais daqui são extremamente modernos e bem equipados. Isso não chegou a ser uma preocupação para mim. Apenas fiz questão de pesquisar se os mesmos tinham UTI neonatal ou não.

Como é a questão de parto normal e cesárea por ai?

Quanto aos tipos de parto, ambos os médicos que fizeram meu primeiro e meu segundo parto, me deixaram super a vontade para escolher normal ou cesárea, sem qualquer tipo de pressão. Como eu sempre desejei fazer parto normal, isso não foi problema. Só faria a cesárea em caráter emergencial.

Hoje, o que você acha que você tem acesso fora do Brasil que não teria no Brasil?

A primeira coisa que me ocorre é a qualidade de ensino que podemos proporcionar aos nossos filhos. E o imenso leque de oportunidades para o futuro deles. Com a base que eles terão aqui, além das línguas que falarão, eles poderão escolher qualquer lugar do mundo para cursar uma faculdade, seguir carreira. Além disso, o contato que eles já têm com diversas culturas é enorme desde cedo. Aqui tem gente do mundo todo e viajamos para muitos países diferentes, orientais e ocidentais. Eu acredito que esse tipo de bagagem para a vida é tão ou mais valioso que o conteúdo aprendido nas escolas. E, com as dificuldades e limitações do Brasil, inclusive financeiras, isso seria extremamente limitado.

Entrevista feita por Rachel Spencer

2017-07-19T17:24:04+00:00