Mudei de vida: Intercâmbio de estudo na Bélgica

A Cecília nasceu em São Paulo mas estava fazendo faculdade no interior, em Lorena, de lá aplicou para um Intercâmbio de estudo na Bélgica e foi lá que ela foi parar!

Intercâmbio de estudo na Bélgica: Neste post ela conta porque escolheu o país e também um pouquinho de como é a vida por lá, sem falar do seu sofrimento com o frio da região. Vale a pena a leitura!

Como foi parar na Bélgica?

A USP possui convênios de intercâmbio com várias faculdades pela Europa. No edital em que eu concorri a vaga para estudar no exterior, eu poderia escolher entre República Checa, Polônia, Dinamarca, Bélgica e Holanda. Eu escolhi a Bélgica pois a faculdade em que estudo, a Katholieke Universiteit Leuven, é muito reconhecida na área em que estudo (Engenharia de materiais).

Outro fator determinante é que a Bélgica é um ponto estratégico para viajar para outros lugares da Europa (o país possuí grandes aeroportos e voos muito baratos operados pelas companhias lowcost para quase toda a Europa, já a Holanda não).

Está sendo o que você esperava?

Em partes, sim. A Bélgica é um país fantástico quando se trata de facilidades como: locomoção e segurança. Você pode pegar trem de qualquer parte do país e ir para as principais capitais da Europa, o transporte público é pontual e eu não me preocupo com violência e assaltos no dia a dia. É claro que tudo isso tem um custo, e bem alto, morar na Bélgica é realmente caro.

Tudo é pago, desde a sua permanência na cidade (você precisa pagar impostos para a sua legalização na cidade, mesmo quando você tem o visto de estudante e mesmo quando são apenas 6 meses de intercâmbio) até a coleta seletiva de lixo.

Não é um país bonito em termos de belezas naturais, não existem montanhas (é totalmente flat) e nem landscapes de tirar o fôlego. Bruxelas é uma capital grandiosa e bonita, assim como eu esperava. Eu moro na cidade de Leuven, fica na região de Flandres (mais ao norte, é a parte onde se fala o flemish dutch, que é uma variação bem próxima do holandês falado na Holanda).

Conheci muita gente bacana e realmente acolhedora, principalmente os outros estudantes em intercâmbio e alguns pouquíssimos belgas. Eu e outros colegas que não são belgas já notamos que eles não são muito abertos para se relacionar com estrangeiros. De maneira geral, mas são um povo gentil e estão sempre dispostos a ajudar, caso sua ajuda seja solicitada, mas eles preferem não se enturmar e é difícil criar uma amizade.

Principal dificuldade encontrada?

Adaptação ao clima. Aqui chove muito (quase todos os dias cai pelo menos uma chuvinha), os dias são quase sempre nublado e as temperaturas são mais amenas, mesmo no verão.

O inverno é realmente gélido e as vezes neva. Um conselho muito importante para quem quer mudar de país é para que as pessoas NÃO ignorem o clima! O clima não é apenas um detalhe!

Pra quem está acostumado com dias lindos, ensolarados e com temperatura mais quente, se adaptar ao clima norte-europeu pode ser realmente um desafio, pois o clima mexe com a sua disposição e muitas vezes com a sua saúde também.

Você já falava a língua do país?

A maioria das pessoas não sabe disso, mas a Bélgica possuí três idiomas oficiais: o holandês, o francês e o alemão (pouquíssimo falado). Eu não falava nenhum dos 3. Tenho proficiência em inglês e em mímica, sei me virar do jeito que dá quando alguém não fala as línguas que eu falo.

Eu nunca havia tido nenhum contato com a língua até eu vir morar na parte flemish speaking da Bélgica, e até hoje, só sei falar palavras básicas para a comunicação e os números (é bem útil saber isso e tarefas do dia a dia, como ir ao supermercado por exemplo), mas só.

O francês é bem mais próximo do português, então entrei em um curso intensivo e agora, quase 5 meses depois, já consigo me virar bem! As vezes quando você está falando com uma pessoa mais velha, ou está em restaurantes mais simples, as pessoas não falam inglês, então mudar para o francês é uma ótima opção.

No entanto, nunca tive grandes problemas de comunicação.

O que é o mais gostoso de estar em outro país?

Conhecer pessoas de muitos lugares do mundo, com culturas e comportamentos dos mais variados. Estilos de vida e religiões muito diferentes da sua. Ter a oportunidade de aprender muito a cada dia apenas tendo uma conversa casual.

Estar morando na Bélgica me possibilitou conhecer vários países. Aprender a me virar para viajar. Me sinto preparada e confiante para entrar em um avião aqui e descer em praticamente qualquer outro lugar do mundo.

Por estar em outro país, eu acabei aprendendo muito! Aprendi a me cuidar. Descobri que a alimentação é a chave número 1 contra doenças. Desenvolvi habilidades de comunicação que eu não possuía antes. Acima de tudo, eu descobri que agora eu valorizo mais o Brasil!

Esse tempo que estou passando na Bélgica tem me mostrado que o Brasil é um país incrível. Mas ainda temos muito trabalho pela frente e cabe a nós fazer a nossa parte! Precisamos ser cidadãos mais ativos!

Os belgas são extremamente pró-ativos. Se eles percebem que tem algo de errado no transporte público (como atrasos muito grandes), eles notificam. Quando aparece um buraco na rua ou a iluminação pública está irregular, eles alertam a prefeitura e assim vai! Muito legal a participação dos cidadãos nas questões públicas. Eles valorizam muito isso!

E o que é o mais difícil?

Acho que a saudade de casa, da comida e do sol. Sou uma pessoa bem apegada a família e tive que ignorar esse fato quando decidi vir para a europa. A adaptação ao clima também foi algo realmente chato e lidar com a falta de sol é bem difícil para mim.

Realmente mexe com o meu humor. Outra coisa que foi bastante difícil foi que no final de março, houve um atentado terrorista bem grave no principal aeroporto da Bélgica e em 2 estações de metrô de Bruxelas.

O país parou e eu fiquei um pouco assustada por que vi coisas que nunca havia visto no Brasil. Os policiais tomaram as ruas com fuzis e carros do exército nas ruas de Bruxelas, me senti por alguns minutos em um cenário de guerra e isso foi bem chato.

O que te preocupava antes da viagem e o que você fez para diminuir essas preocupações?

Eu não tinha preocupações que realmente me atormentavam antes de vir. Mas o fato de eu namorar me deixava um pouco preocupada, pois tenho vários amigos que tentaram namorar a distância e não deu certo e o relacionamento acabou. Hoje eu vejo que essa preocupação é completamente sem sentido!

Não tive problema nenhum no meu relacionamento por conta da distância. O fuso-horário perturba as vezes, mas nada que não dê para ser relevado.

Quando eu vim para a Bélgica eu não sabia se veria o meu namorado até que o meu intercâmbio acabasse. Mas ele conseguiu vir e viajamos juntos para vários países na europa. Então o que era para ser uma preocupação enorme se tornou uma das coisas mais legais que aconteceram no nosso relacionamento!

Quando já estava na viagem, essas preocupações fizeram sentido?

Não fizeram sentido algum. Nós temos a capacidade de nos adaptar a quase tudo. E naquilo que nós não conseguimos nos adaptar, nós damos um jeito de ficar menos pior.

Por exemplo, eu amo o sol. Mas aqui na Bélgica é raro ter um dia muito bonito de sol. Então uma solução é planejar com antecedência um fim de semana em países mais quentes e ensolarados.

Os voos tem preços muito bons. E a hospedagem em hostel e em sistema de couching é bem em conta.

A melhor coisa de viajar?

Viajar me tira da realidade. Se sentir grande e pequeno ao mesmo tempo! Se sentir grande pela sensação de liberdade que existe em viajar! Conhecer lugares que você nunca imaginou antes. Conversar com pessoas diferentes e inspiradoras.

Aprender palavras novas e se comunicar em outras línguas! Isso é libertador!

E ao mesmo tempo se sentir pequeno, por saber que esse mundo é tão grande e tão rico que você jamais poderá conhecer todos os lugares em uma só vida. Sempre vai existir um lugar maravilhoso que você não vai conseguir ir. Isso me faz perceber o quanto esse mundo é complexo, vasto!

E aí eu me sinto pequena e percebo que não passo de uma simples pessoa! Viajar nos força a sermos mais humildes, educados e simples!

Por Cecília Gomes

A Cecília divide sua experiência através do site Vai Viver e também no Instagram.

2017-07-19T23:46:55+00:00