Que tal dar um pulinho até Buenos Aires?

A Roberta já tinha realizado o sonho de viajar sozinha pela primeira vez quando foi a Nova Iorque. Agora ela parte para sua segunda aventura, dando um pulinho até Buenos Aires.

A viagem para Argentina aconteceu de uma maneira inusitada. Tentei ver o show do Motörhead no Brasil, mas eles não tocaram devido a um problema de saúde de um dos integrantes. Eu nunca tinha assistido essa banda ao vivo e decidi que eu iria em um show deles de qualquer jeito. Como o próximo show seria em um festival na Argentina, lá fui eu.

Apesar de ser brasileira e ter o português como minha língua materna, o idioma que mais usei nessa viagem foi o inglês. Sério, tenho uma dificuldade absurda em entender o espanhol. Primeiramente, eu tentava me comunicar em português.

Falava bem devagarzinho, mas eu me sentia mais segura falando em inglês mesmo. Algumas coisas eu decorei em espanhol, como o endereço do hostel (entrei no taxi dizendo “Calle Florida, tres dos ocho. Como a Florida é uma rua de pedestres e o taxi me deixou na esquina, nas corridas seguintes eu dizia “Florida y Corrientes”) e o local do show (Ciudad del Rock – Av. Escalada).

Amizades pela estrada

Mal cheguei e logo fiz amizade com dois alemães que faziam check in no mesmo momento que eu. Fomos a um show de tango juntos e passeamos um pouco. Teve festa no hostel e conheci gente de vários países também.

No meu terceiro dia lá aconteceu o festival. Ah! E eu estava sem ingresso! Deixei pra comprar na hora, achando que seria mais barato e dei sorte de conseguir na mão de um argentino porque já estavam esgotados na bilheteria.

Esse argentino estava com um grupo de amigos e me convidou pra ficar ali com eles, mas como eu não entendo nada de espanhol, eu interagi um pouco e depois fui pra outro lado. Assisti aos shows, passei perrengue para conseguir um taxi de volta, mas consegui chegar de volta ao hostel.

Turismo por Buenos Aires

Fiquei hospedada num hostel na Rua Florida, que eu já havia feito reserva pela internet. Escolhi este albergue pela localização. A Calle Florida é bem conhecida e tem de tudo nela. Dá pra visitar os principais pontos turísticos andando (10 minutos a pé até a Casa Rosada, 6 minutos até a Catedral Metropolitana e 9 minutos até o Obelisco, por exemplo) ou pagando SUPER pouco de táxi pra lugares mais distantes. Andar de táxi é super barato na Argentina.

Me senti bastante segura em Buenos Aires, mas só posso opinar sobre a região em que fiquei.

No último dia fiz turismo, comi um bife de chorizo F.A.N.T.Á.S.T.I.C.O, visitei o cemitério da Recoleta, fui na fábrica de couros e comprei uma mala maravilhosa. Paguei o equivalente a R$400 numa bolsa de viagem de couro legítimo que cabe o mundo.

Precisava de uma mala porque viajei com uma malinha pequena mas comprei tanta coisa em Buenos Aires que precisava de outra. Fica a dica pra quem usa couro legítimo: visitar fábrica de couros. Tudo super em conta e que vai durar muito.

Falando em compras, eu não sabia que não podia trazer doce de leite pro Brasil e comprei vários potes na loja da Havana, assim como caixas e caixas de alfajor e barras de chocolate Milka. (Ainda bem que meus potes não foram confiscados aqui!) acabando as compras, fui para o aeroporto.

Viajando sozinha

Quando eu penso no ‘resultado final’ da viagem, sinto que foi muito maior e melhor do que eu esperava. Olhando só pra parte de conhecer lugares, realmente me impressionou mais do que eu imaginava. No dia a dia ficamos tão inseridos nessa visão de um Brasil pobre, corrupto e violento, e conhecendo os lugares que passamos, hoje vejo o Brasil com vários problemas sociais e econômicos, mas com muita, muita mesmo, beleza, pessoas humanas, boas , felizes, e acolhedoras, e uma cultura extremamente rica.

E pensando na parte do crescimento pessoal, passei a pensar que nenhuma experiência pode ser tão positiva quanto viajar. É até difícil explicar paras as pessoas a relação entre viajar e crescimento pessoal, mas é algo extraordinário.

A única parte ruim é que algumas coisas ficam mais caras quando se faz o planejamento sozinha. E comer… sinceramente eu sinto um pouco de vergonha as vezes quando estou num restaurante sozinha. Algumas pessoas olham como se eu fosse uma coitada que levou um bolo.

Poder traçar meu próprio roteiro, mudar de planos sem a aprovação de ninguém, ter a liberdade de fazer tudo ou não fazer nada é ótimo. Viajar sozinha é um trabalho de autoconhecimento. Mas talvez eu seja bicho solto mesmo…

Algumas pessoas me acham bicho solto demais por viajar sozinha, mas eu acho cada vez mais libertador. Passar um tempo sozinha, conhecendo novos lugares, novas pessoas, ouvindo a história de vida de cada um, gente tão diferente de mim que talvez eu jamais conheceria, faz eu conhecer mais sobre mim mesma.

Cuidados quando estar viajando sozinha

Claro que, no mundo em que vivemos, uma mulher precisa tomar alguns cuidados por haver aquela questão de nos acharem alvo fácil. Sempre fico atenta, ando com algum dinheiro em espécie na bolsa porque, caso eu me perca, eu pego um táxi e volto pro hotel/albergue, fico de olho nos meus pertences…

Não se trata de cuidados específicos com Buenos Aires, mas em qualquer lugar, viajando ou no meu dia a dia aqui no RJ. Outro cuidado é com bebidas “batizadas”, um dia, acho que bebi uma bebida batizada. Não aconteceu nada de ruim, mas, senti que tinha alguma coisa errada. Vale redobrar o cuidado com isso!

Não me aconteceu nada, ninguém se aproveitou de mim, mas acho que deveria compartilhar as coisas boas e os possíveis problemas, né? O q vc acha?

Agora nas férias viajarei sozinha de novo, mas não ficarei sozinha o tempo todo. Vou encontrar os amigos que fiz em Nova Iorque naquela minha primeira viagem solo. Vamos a um jogo dos Yankees quando eu chegar lá.

Em Las Vegas encontrarei um pessoal que conheci no Grand Canyon e vamos assistir a um show de rock. Ah! E os alemães que conheci na Argentina vieram ao Rio e fomos tomar uma cerveja na Lapa.

2017-07-19T17:22:50+00:00